sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Tiago 4



          Tiago escreve com o coração de um pastor, mas com a firmeza de um profeta, diagnosticando as causas dos conflitos humanos e apontando o caminho para uma vida de verdadeira submissão a Deus. 

          ​1. A Raiz dos Conflitos e das Guerras (Tiago 4. 1 a3)
​         Tiago começa o capítulo com uma pergunta retórica direta: "De onde vêm as guerras e contendas que há entre vós?". A resposta dele muda o nosso foco do exterior para o interior.
​         Os conflitos externos (nas famílias, igrejas e relacionamentos) são apenas sintomas de uma guerra interna. A causa real são os prazeres (ou paixões) que guerreiam na nossa mente.
​          Tiago descreve um ciclo destrutivo, um ciclo de frustração: cobiçar, invejar, lutar e não conseguir.
          Ele explica por que muitas orações não são respondidas: "Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres". Nossas orações são egoístas. A oração deixa de ser um alinhamento com a vontade de Deus e passa a ser uma tentativa de usar Deus como um servo dos nossos caprichos.

          ​2. A Amizade com o Mundo vs. A Graça de Deus (Tiago 4. 4 a 10)
​          Aqui, o tom de Tiago se eleva. Ele usa o termo "adúlteros" para lembrar que o relacionamento do povo com Deus é um pacto de fidelidade espiritual.
​          Os reinos se chocam entre o Amar o "sistema do mundo" (seus valores de egoísmo, soberba e autossuficiência) significa colocar-se como inimigo de Deus.
          Mas ​a boa notícia é que diante da gravidade do nosso pecado, Tiago apresenta o maior consolo: "Antes, dá maior graça". Deus não nos abandona ao nosso egoísmo; Ele oferece graça para nos transformar, pois "Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes".
​          O Caminho da Restauração
          Os 5 passos ​para sair da condição de orgulho e experimentar essa graça, Tiago estabelece uma sequência de atitudes práticas no versículo 7 ao 10:
          ​Sujeitai-vos a Deus: Render a soberania da sua vida a Ele.
          ​Resisti ao diabo: O mal perde força quando encontra uma vida firmada na verdade (e ele fugirá de vós).
          ​Chegai-vos a Deus: A resistência ao mal deve ser acompanhada pela busca intencional pela presença do Criador.
          ​Purificai as mãos e o coração: Uma chamada ao arrependimento prático (ações e intenções).
          ​Humilhai-vos perante o Senhor: Reconhecer nossa total dependência Dele, sabendo que é Ele quem nos exaltará no tempo certo.

          ​3. O Perigo de Julgar o Irmão (Tiago 4:11-12)
          ​Tiago faz uma pausa para tratar de um pecado muito comum que nasce do orgulho: a difamação e o julgamento alheio. ​"Irmãos, não faleis mal uns dos outros."
          ​Quando julgamos ou criticamos um irmão de forma maliciosa, estamos nos colocando acima da própria Lei de Deus (que nos manda amar o próximo). Tiago nos lembra de que existe apenas um único Legislador e Juiz capaz de salvar e destruir. Portanto, quem somos nós para julgar o próximo?

          ​4. A Ilusão da Autossuficiência e o Amanhã (Tiago 4:13-17)
          ​O capítulo termina confrontando o nosso desejo de controle e o planejamento de vida que exclui a soberania de Deus.
          ​A arrogância dos planos humanos: Tiago cita o exemplo dos comerciantes que dizem: "Hoje ou amanhã iremos a tal cidade, lá passaremos um ano, negociaremos e ganharemos dinheiro". O erro aqui não é planejar ou trabalhar, mas fazer isso como se fôssemos donos do tempo.
          ​A metáfora da neblina: O texto nos lembra de uma verdade dura, mas libertadora: "O que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco de tempo e logo se dissipa".
​          A postura correta: Em vez de presunção, nossa linguagem e mentalidade deveriam ser: "Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo".
          ​O capítulo encerra com uma definição crucial sobre o pecado de omissão: "Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado" (v. 17). O pecado não é apenas fazer o que é errado, mas também falhar intencionalmente em fazer o que é certo.
​          ​Tiago 4 nos convida a fazer uma radiografia da nossa alma:
          Meus conflitos diários nascem de desejos egoístas não realizados?
          ​Tenho buscado mais a aprovação do mundo ou a intimidade com Deus?
          ​Meus planos futuros submetem-se à soberania de Deus ou são frutos da minha própria prepotência?

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