"E disse-lhe um da multidão:
Mestre,
dize a meu irmão que reparta comigo a herança.
Mas ele lhe disse:
Homem,
quem me pôs a mim por juiz
ou repartidor entre vós?
E disse-lhes:
Acautelai-vos
e guardai-vos de toda a avareza;
porque a vida de qualquer
não consiste na abundância do que possui.
E propôs-lhes uma parábola,
dizendo:
A herdade de um homem rico
tinha produzido com abundância;
e arrazoava ele consigo,
dizendo:
Que farei?
Não tenho onde recolher os meus frutos.
E disse:
Farei isto:
derribarei os meus celeiros,
e edificarei outros maiores,
e ali recolherei todas as minhas novidades
e os meus bens.
E direi à minha alma:
Alma,
tens em depósito muitos bens
para muitos anos;
descansa,
come,
bebe e folga.
Mas Deus lhe disse:
Louco!
Esta noite te pedirão a tua alma,
e o que tens preparado,
para quem será?
Assim é aquele que entesoura para si
e não é rico para com Deus."
Lucas 12:13-21
A passagem começa com uma interrupção. Um homem, preocupado com questões de herança e dinheiro, tenta arrastar Jesus para um tribunal familiar. A resposta de Jesus é um ponto de virada crucial: Ele Se recusa a ser um "repartidor de bens" e imediatamente ataca a raiz do problema: a avareza.
Jesus nos adverte: "A vida de qualquer não consiste na abundância do que possui" (v. 15). Esta é a tese central. A crise da vida não é a falta de dinheiro, mas a ilusão de que a vida é o dinheiro.
Jesus conta então a parábola do homem rico. Este homem teve uma colheita recorde. Seus pensamentos são um monólogo de auto-satisfação e controle:
"Que farei?" (v. 17) — Ele pensa em problemas de abundância, nunca na possibilidade de compartilhar.
"Derribarei... e edificarei outros maiores..." (v. 18) — Seu projeto de vida é aumentar o armazenamento. Mais celeiros para mais bens.
"Direi à minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens... descansa, come, bebe e folga." (v. 19) — Seu futuro é focado em si mesmo, na segurança material e no hedonismo. O "eu" aparece cinco vezes nos versículos 17-19, mas Deus não aparece nenhuma vez.
O maior erro do homem não foi ter dinheiro, mas sim construir todo o seu futuro e a identidade de sua alma em torno do dinheiro. Ele tratou sua alma como se ela fosse um cofrinho a ser preenchido com bens materiais.
A resposta de Deus é um choque dramático: "Louco! Esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado, para quem será?" (v. 20).
A palavra "Louco" (em grego, Afron) não significa burro ou estúpido, mas sim insensato ou alguém que vive sem a devida consideração por Deus.
Ele foi insensato porque ignorou a morte. Ele planejou "muitos anos", mas não estava no controle do seu tempo. O seu agora era urgente, mas o seu depois era inexistente.
Ele foi insensato porque ignorou a eternidade. Seus celeiros não tinham portas para o Céu. Sua riqueza era totalmente terrena e, portanto, totalmente temporária.
Ele foi insensato porque ignorou o propósito. Ele foi um bom agricultor, mas um péssimo mordomo. Seus bens não serviram a ninguém mais além de si mesmo.
Jesus resume a lição: "Assim é aquele que entesoura para si e não é rico para com Deus" (v. 21).
Ser "rico para com Deus" não significa necessariamente ser pobre em bens, mas sim ter um coração que não é escravizado por eles. É usar os recursos que Deus nos dá (tempo, talento e tesouro) para Seus propósitos, investindo em coisas que terão valor na eternidade:
* Relacionamentos: Amor, perdão e serviço.
* Obras de Misericórdia: Ajudar o próximo e os necessitados.
* O Evangelho: Apoiar e propagar a mensagem da Salvação.
Não troque a vida eterna por um celeiro cheio.
Reflita:
Se Deus me pedisse a alma esta noite, o que do meu "celeiro" de hoje teria valor no Céu?
Se Deus me pedisse a alma esta noite, o que do meu "celeiro" de hoje teria valor no Céu?
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