terça-feira, 18 de abril de 2017

"Características Visuais da cidade de Deus"



          Apocalipse 21. 11 a 22. 1 a 5

          João tenta traduzir em palavras a arquitetura da Nova Jerusalém, a Cidade de Deus. Mais do que estética, cada detalhe visual carrega um profundo significado teológico e histórico da revelação bíblica.

          Sua Luz: A Glória de Deus e o Brilho de Jaspe
         "Ela brilhava com a glória de Deus, e o seu brilho era como o de uma joia preciosíssima, como jaspe cristalino." Apocalipse 21:11
          A luz foi o primeiro ato da Criação. Assim, também a última Criação mostra o Céu como um lugar inudado de luz. "E ali não haverá mais noite, e não necessitarão de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os ilumina; e reinarão para todo o sempre." Apocalipse 22. 5. O texto nos ensina que entrar no Céu quer dizer entrar no Reino da Luz e isso significa alcançar conhecimento pleno de todas as coisas e o fim de todas as perplexidades que nos atormentam no presente "Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido." I Coríntios 13. 12
          A primeira característica marcante da cidade não é sua estrutura sólida, mas a sua atmosfera luminosa. João usa o jaspe cristalino (que na antiguidade remetia a uma pedra extremamente pura, brilhante e translúcida) para descrever como a própria presença de Deus irradia através da cidade.
          A luz na Nova Jerusalém resolve o problema histórico da separação entre Deus e o homem. No Antigo Testamento, a Glória de Deus (*Shekinah) era reclusa ao Santo dos Santos (Êxodo 40. 34 a 35). Na nova criação, a cidade inteira se torna o Santo dos Santos. Isaías já havia profetizado esse cenário onde o sol e a lua seriam obsoletos diante da luz do próprio Criador (Isaías 60. 19 e 20). Além disso, o Novo Testamento valida Cristo como essa fonte direta de iluminação "Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida." João 8:12 e "E a cidade não necessita de sol nem de lua, para que nela resplandeçam, porque a glória de Deus a tem iluminado, e o Cordeiro é a sua lâmpada." Apocalipse 21. 23.

          Seu Grande e Alto Muro: Segurança e Separação
         "Tinha um grande e alto muro..." Apocalipse 21. 12a
          No mundo antigo, uma cidade sem muros era uma cidade indefesa, vulnerável à ruína. O muro da Cidade de Deus é descrito como "Grande e Alto", o que visualmente transmite uma mensagem imediata de segurança absoluta e exclusão do mal. Segurança eterna para todo aquele que entrou por suas portas.
          Na teologia bíblica, o muro delimita o que é sagrado do que é profano. Embora as portas nunca se fechem, o muro garante que nada impuro ou que pratique a mentira possa entrar "E não entrará nela coisa alguma que contamine, e cometa abominação e mentira; mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro." Apocalipse 21:27. Essa imagem dialoga perfeitamente com a profecia de Isaías 26:1, que diz: "Temos uma cidade forte; Deus estabelece a salvação como muros e antemuros", e com a reconstrução dos muros de Jerusalém por Neemias, que visava restaurar a dignidade e a separação do povo de Deus do paganismo ao redor "Então eu lhes disse: Vocês estão vendo a situação terrível em que estamos: Jerusalém está em ruínas, e suas portas foram destruídas pelo fogo. Venham, vamos reconstruir o muro de Jerusalém, para que não fiquemos mais nesta situação humilhante." Neemias 2. 17. No tempo presente, a tempestade pode agitar, mas aqueles que entrarem pela Porta já estão absolutamente seguros no amor de Deus. "Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor." Romanos 8. 38 e 39. Assim, em certo sentido, já estamos no Céu, somos já parte e participantes da nova Criação "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." II Coríntios 5. 17

          Suas Portas: A Aliança com Israel
          "...com doze portas e doze anjos junto às portas. Nas portas estavam escritos os nomes das doze tribos de Israel." Apocalipse 21. 12
          A distribuição das portas — três para cada ponto cardeal (Norte, Sul, Leste e Oeste Apocalipse 21. 13 mostra uma cidade perfeitamente acessível a partir de qualquer canto da terra. O fato de os nomes das doze tribos de Israel estarem inscritos nelas revela que a entrada na eternidade se dá através da história da salvação construída com o povo da antiga aliança, sugerem como o Céu está repleto da Terra.
          Esse design é uma réplica aperfeiçoada da visão do profeta Ezequiel. Em Ezequiel 48:31-34, ele também enxerga a Jerusalém restaurada com exatamente doze portas nomeadas segundo as tribos de Israel. A presença de anjos como guardiões remete à restauração do Éden; assim como os querubins guardavam o caminho da árvore da vida após a queda Gênesis 3. 24, os anjos agora dão as boas-vindas aos redimidos na cidade eterna.
          Seus Fundamentos: A Igreja e o Novo Pacto
          "O muro da cidade tinha doze fundamentos, e neles estavam os nomes dos doze apostólos do Cordeiro." Apocalipse 21. 14
          Se as portas representam as raízes no Antigo Testamento, a fundação e a base sustentadora do muro representam o Novo Testamento. Os doze fundamentos carregam os nomes dos apóstolos de Jesus. Visualmente, isso significa que a segurança e a estrutura da habitação eterna de Deus estão firmadas na mensagem do Evangelho que eles pregaram.
          Apocalipse 21. 14 é a materialização visual e literal do que o apóstolo Paulo escreveu em sua carta aos Efésios. Ele explicou que os cristãos não eram mais estrangeiros, mas "edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, tendo Jesus Cristo como pedra angular" Efésios 2. 19 e 20. Há uma harmonia perfeita entre o Antigo e o Novo Pacto: a cidade une o povo de Israel (nas portas) e a Igreja (nos fundamentos), mostrando que em Cristo ambos se tornaram um único povo a caminho da Cidade de Deus.


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