terça-feira, 9 de maio de 2017

"A Repreensão de Cristo"


"Mas algumas poucas coisas tenho contra ti, 
porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, 
o qual ensinava Balaque 
a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, 
para que comessem dos sacrifícios da idolatria, 
e fornicassem.
Assim tens também os que retém a doutrina dos nicolaítas, 
o que eu odeio." 
Apocalipse 2:14,15



          A carta à igreja de Pérgamo, registrada em Apocalipse 2:12-17, apresenta um contraste fascinante. Enquanto Jesus elogia a fidelidade deles sob perseguição, Ele não hesita em aplicar uma repreensão cirúrgica nos versículos 14 e 15.
          O Alvo da Repreensão de Cristo é a tolerância ao Erro.
          Diferente da igreja de Éfeso, que testou e rejeitou os falsos apóstolos, Pérgamo cometeu o erro da conivência. O problema não era que a igreja inteira tivesse se desviado, mas que eles permitiram que grupos heréticos coexistissem com a sã doutrina.
          Jesus cita o personagem do Antigo Testamento (Números 22-25) para ilustrar o perigo. Balaão não conseguiu amaldiçoar Israel diretamente, então ensinou o rei Balaque a seduzir o povo através de:
          Tropeços éticos: Comer coisas sacrificadas aos ídolos (compromisso com a cultura pagã).
          Imoralidade sexual: Práticas que desonravam a santidade do corpo e do templo.
          No contexto de Pérgamo, isso representava o sincretismo: a tentativa de ser cristão enquanto se mantinha um "pé" nas práticas sociais e religiosas romanas que eram incompatíveis com o Evangelho. 
          Embora os historiadores debatam a origem exata dos nicolaítas, a repreensão de Jesus indica que eles seguiam uma linha similar à de Balaão. Eles provavelmente promoviam uma liberdade cristã distorcida, sugerindo que o que se fazia com o corpo não afetava o espírito — uma forma primitiva de gnosticismo  que levava à libertinagem. ( O gnosticismo é um conjunto de correntes filosófico-religiosas dos séculos I-II d. C. que defendia a salvação através da gnose ( conhecimento interior e secreto ) em vez da fé. )
          Jesus Se apresenta como aquele que tem a "espada afiada de dois gumes" (v. 12). Isso é crucial para entender a repreensão:
          Através do Poder de Julgamento: Em Pérgamo residia o procônsul romano, que detinha o "direito da espada" (poder de vida e morte). Jesus afirma que a autoridade final não pertence a Roma, mas a Ele.
          Através da Palavra que Separa: A espada representa a Palavra de Deus que discerne os pensamentos e separa o sagrado do profano. A repreensão de Cristo visa cortar o tumor da heresia para salvar o corpo.
          Lições Práticas para Hoje:
          Ortodoxia =  ( Ortodoxia é a adesão estrita a doutrinas, normas ou crenças tradicionais, considerada a "crença correta" em contextos religiosos, políticos ou econômicos. Alguns de seus sinônimos são: Rigor, Rigidez, Severidade, Fidelidade, Conformidade, Apego (a normas ou tradições ). 
          No aspecto da ortodoxia o perigo em Pérgamo foi reter o nome de Cristo, mas tolerar o erro. Assim como nos dias de hoje, não basta cantar louvores, se aceitamos ideologias contrárias à Bíblia.
          No aspecto do sincretismo o perigo em Pérgamo foi participar de banquetes idólatras por conveniência social. Hoje  o perigo está em moldar o evangelho para que ele não ofenda a cultura atual.
          No aspecto da liderança o perigo em Pérgamo foi a falta de disciplina eclesiástica. Hoje falta a responsabilidade dos líderes em confrontar ensinos que ferem a santidade.
          Jesus chamado ao arrependimento, Sua repreensão nunca é um fim em si mesma, mas um convite ao retorno. No versículo 16, Ele ordena: "Arrepende-te!". A promessa para quem ouve a repreensão e vence é a intimidade do "maná escondido" e a aprovação da "pedra branca".
          Jesus ama tanto a Sua Igreja que não suporta vê-la se autodestruir através de compromissos morais e doutrinários.


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