terça-feira, 9 de maio de 2017

"Carta Missionária


          Primeiro mês
          (1) Esta é Sunniva (pronuncia-se SU-NÍ-VA). Ela mora na Noruega, um país muito longe daqui.
                Na Noruega a pessoa tem a pele bem branquinha, os olhos bem azuis e os cabelos bem loiros. Ou bem ruivos. Sunniva tem os cabelos bem ruivos, igual sua avó. E sardas nas bochechas.
                As vezes nas festas, Sunniva usa esta roupa toda diferente e especial. Uma saia bem comprida preta, avental branco por cima, meias finas brancas, sapatinho preto e blusa branca de manga comprida e um lindo colete vermelho com bordado preto.
          (2) A Noruega onde Sunniva mora, é um país onde faz muito, muito frio no inverno. Esta é a casa onde a Sunniva mora. É uma casa linda, toda vermelha, construída com toras grandes e grossas de madeira. O telhado da casa é inclinado, para neve não parar nele no inverno. Em alguns lugares na Noruega, para proteger a casa um pouco mais do frio, as pessoas plantam musgo em cima do telhado, isso ajuda esquentar mais quando o inverno chegar.
          (3) Quando Sunniva era bem pequena, a mamãe dela morreu, então quem cuida de Sunniva é o papai, Ragnar (pronuncia-se RÁG-NAR). Ele trabalha em um barco, pescando bacalhau, que é um peixe muito comum na Noruega. O bacalhau gosta de viver em águas bem frias e os peixes que o papai Ragnar pesca são bem grandes!
          (4) Essa é Silje (pronuncia-se SÍL-JE), a vovó de Sunniva. A vovó Silje mora junto com eles, e ajuda a cuidar de Sunniva. A vovó é muito inteligente. Ela é professora na escola onde Sunniva estuda. À noite, em casa a vovó senta pertinho de Sunniva e lê a Bíblia com ela. Sunniva conhece muitas historias da bíblia: Noé, Elias, Jonas, mas Sunniva não pode ir na igreja para fazer o culto, porque não tem nenhuma igreja perto da casa dela, lá na Noruega! Vamos trazer nossa ofertinha?     Com o dinheiro que você traz, uma igreja poderá ser construída lá na Noruega.
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"Nada escapa da observação de Deus"


"Nada escapa da observação de Deus.
 Nada ultrapassa os limites do seu poder. 
Deus tem autoridade sobre todas as coisas. 
Se eu pensasse, 
ainda que por um momento
que uma simples molécula 
corre livremente pelo universo fora do controle
 e o domínio de Deus Todo-Poderoso, 
eu não dormiria hoje à noite.
 Minha confiança no futuro descansa
 em minha confiança no Deus que controla a história."
 R. C. SPROUL


"Peniel"

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Deus tem para mim um plano
Para ser realizado
Mas meu ego causa dano
Deixa o plano bloqueado.
Uma luta muito intensa
Acontece a cada dia;
Pra que o ego não a vença
E com Deus perca a harmonia,
Eu preciso ser quebrado
Lá no ponto em que sou forte,
Ser um homem quebrantado
Com o ego entregue à morte.
Só com a cruz em mim erguida
Posso andar obediente,
Sendo toda a minha vida
Pra Sua glória tão somente.
Toda e qualquer situação
Encarar confiadamente.
Não há mais murmuração
Sei que Deus está presente.
Tudo corre para o bem
De quem ama a Deus, Fiel;
Cada dia, sim, convém,
Ter com Ele um Peniel.
Gilberto Celeti
“Você lutou com Deus 
e com os homens 
e venceu” 
Gênesis 32.28


Medite!!!

  "Deste-me vida 
e foste bondoso para comigo
 e na Tua providência
cuidaste do meu espírito" 
Jó 10:12
          Ó, meu Pai, o que seria de mim sem a Tua poderosa mão a me segurar? Sem o Teu sopro de vida que me faz levantar a cada manhã? Sem o Teu imenso amor que apaga as minhas transgressões, através do Teu Filho Unigênito, e as esqueces completamente?
          E, quando encontro-me em meio às adversidades, eis que escuto o conselho do apóstolo Paulo: "Não sobreveio a vocês tentação que não fosse comum aos homens. E Deus é fiel; Ele não permitirá que vocês sejam tentados além do que podem suportar. Mas, quando forem tentados, Ele mesmo providenciará um escape, para que o possam suportar" (1Coríntios 10:13).
Tu és,
 ó Pai,
 Grande, 
Justo e Fiel!
 As Tuas promessas não caem por terra, 
como está escrito em Josué 21.45: 
"De todas as boas promessas do Senhor
 à nação de Israel, 
nenhuma delas falhou; 
todas se cumpriram;" 
e, como disse Jesus:
 "O céu e a terra passarão,
 mas as minhas palavras jamais passarão" 
Mateus 24:35
          E, quando bate aquela preocupação do dia a dia, quanto ao comer, beber e vestir, Jesus me diz: "Portanto Eu lhes digo: não se preocupem com suas próprias vidas, quanto ao que comer ou beber; nem com seus próprios corpos, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante do que a comida, e o corpo mais importante do que a roupa? Observem as aves do céu: não semeiam nem colhem nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas? Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida?" (Mateus 6:25-27).
          É, meu Pai, e o Mestre acrescenta: "Por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem tecem. Contudo, Eu lhes digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles. Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, não vestirá muito mais a vocês, homens de pequena fé? Portanto, não se preocupem, dizendo: ‘Que vamos comer?’ ou ‘que vamos beber?’ ou ‘que vamos vestir?’ Pois os pagãos é que correm atrás dessas coisas; mas o Pai celestial sabe que vocês precisam delas. Busquem, primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas." (Mateus 6:33) 

* "💡Dicas Kid's"



           Acima de todas as coisas ame suas crianças;
           O bom líder é aquele que não vê quantidade, mais sim qualidade;
           Conheça a vida de cada criança;
           Ore todos os dias pela vida de seus pequeninos;
           Abrace, elogie, demonstre toda forma de amor e carinho;
           Dedique, estude e planeje cada vez que você terá um momento com uma criança;
           Peça direção ao Espírito Santo de Deus, Ele te capacitará!

          Lembre se:
          O bom pastor deseja o melhor para seu rebanho! 👦🏼👧🏼



"Mamãe Maravilha"






"Deus continua sendo nosso Pai"



          Deus continua sendo nosso Pai, socorro bem presente nas horas de aflições. Amigo, soberano, não nos deixa em nenhum momento.
          Amo a canção da Gabriela Rocha onde ela expressa a Deus, o seu valor de Pai para nós: 

          "Pai, como é bom viver e ver em meio as lutas ainda sou seu filho
           Que não importa aonde eu passe e o que passe tu estas comigo
           Todos podem me deixar, desamparar, tu és o meu amigo
           Tendo tudo, muito, pouco, tua graça é o que eu preciso

          Pai, quantas vezes eu tentei sem te chamar e eu sofri sozinho,
          Mesmo assim o teu perdão me resgatou sentindo o seu carinho,
          Pois eu sei que nada sou sem tua presença, tudo é tão vazio
          Me abrace, guarde, cuide, para sempre quero ser seu filho

          Pai, me renova, me da forças, pois contigo quero prosseguir
          Seu Espírito movendo minha vida já posso sentir
          Como é bom ser seu amigo, filho e te chamar de Pai"


#Jesus #DeusPai
#JardimSecretoDoPai

de www.facebook.com/jardimsecretodopai


❤️

"A oração de uma criança move a mão de Deus!"

       


          Quando estiverem reunidos na igreja para orar, faça um circulo com as crianças, incentivem a fazerem pedidos de oração, por alguém enfermo , desempregado, na família...
          Faça com que eles orem por pedidos específicos e exercitem a fé.
      

de Pregadora Infantil Tia Tati


* "Somo Mães de Milhares de Milhares!!!"



* "A HONESTIDADE PROCEDE DE DEUS"



          O Senhor não tolera o mal. Ele é contra a injustiça. Deus não faz vistas grossas aos esquemas de corrupção. Ele não aprova o peso falso e a balança enganosa. Aqueles que enriquecem usando os expedientes escusos do engano, da mentira e da trapaça podem até escapar das leis dos homens, mas jamais escaparão do reto juízo de Deus.

Hernandes Dias Lopes


"Salmos: Introdução e Teologia do Louvor"


Introdução e Teologia do Louvor:
Poesia Hebraica, Oração e Guerra Espiritual

          Neste  módulo iniciamos uma nova seção do curso: os Livros Poéticos. Essa transição representa uma mudança profunda de perspectiva. Nos módulos anteriores, o eixo narrativo dominante era a voz de Deus falando a Israel — pela Lei, pela história, pela revelação progressiva de seu caráter e propósitos. Nos Livros Poéticos, sem que a voz de Deus desapareça, emerge com força a voz do ser humano respondendo a Deus. O salmista não recebe uma lei; ele entoa um cântico. Não registra um evento histórico; ele processa esse evento na oração. Os Livros Poéticos são, em sua essência, a resposta do ser humano crente ao Deus que se revelou.

O Saltério é um dos livros mais abrangentes das Escrituras no que diz respeito à experiência humana diante de Deus. Todos os sofrimentos, tristezas, temores, dúvidas, esperanças, cuidados e ansiedades da existência humana encontram expressão em seus poemas. Essa abrangência não é acidental — ela é teológica: Deus criou o ser humano para o diálogo, e o Saltério é o registro mais completo desse diálogo ao longo da história de Israel. É por isso que o Saltério tem sido o livro de oração mais utilizado pela Igreja em todas as tradições e gerações.

Este módulo examina duas dimensões complementares do Saltério. A primeira é sua natureza como poesia — a estrutura, o paralelismo, as figuras de linguagem e a emoção santificada que caracterizam a poesia hebraica e a distinguem de toda outra forma literária da Bíblia. A segunda é sua função — o Saltério como manual de oração e como texto de guerra espiritual, em que o louvor é arma, a lamentação é fé, e a confissão é vitória.

Poesia hebraica: estrutura, paralelismo e emoção santificada

1 — Os Livros Poéticos: introdução e visão geral

1.1 A mudança de gênero e sua importância hermenêutica
A tradição hebraica identificava três grandes livros poéticos: Jó, Salmos e Provérbios. A classificação da Vulgata latina incluiu ainda Eclesiastes e Cantares, chegando aos cinco livros habitualmente chamados de “Poéticos”. Internamente, esses cinco livros se dividem em dois grupos: “Livros de Sabedoria” — Jó, Provérbios e Eclesiastes — e “Livros Hínicos” — Salmos e Cantares de Salomão.

A mudança de gênero literário que ocorre ao transitar do Pentateuco para os Livros Poéticos exige do leitor uma mudança correspondente de postura hermenêutica. A prosa narrativa comunica por descrição e sequência; a poesia comunica por evocação e intensidade. A narrativa informa; a poesia forma. Ler um salmo como se lê um código legal ou uma crônica histórica é deturpar seu propósito. Walton e colaboradores, no Comentário histórico-cultural da Bíblia, ressaltam que a poesia do Antigo Oriente Próximo funcionava primariamente como veículo de experiência — ela não apenas descrevia o encontro com o divino; ela o reproduzia na experiência do leitor ou ouvinte.

Para o contexto pentecostal e ministerial, essa observação é de relevância imediata: os Salmos não foram escritos para ser analisados academicamente — foram escritos para ser orados, cantados, lamentados e proclamados. Sua força não está apenas em seu conteúdo intelectual, mas em sua capacidade de mobilizar o ser humano inteiro — intelecto, emoção e vontade — em direção a Deus.

1.2 O Saltério: títulos, autores e período de composição
O nome hebraico do livro de Salmos é Tehilim — “cânticos de louvor” ou “louvores” — derivado da raiz halal, da qual também vem a palavra “aleluia” (hallelu-Yah: “louvai a YHWH”). O título grego Psalmoi — de onde vem a palavra portuguesa “salmo” — significa literalmente “poema para ser cantado com instrumentos de cordas”. O Saltério (do grego Psalter, instrumento de corda) designa a coleção completa dos 150 salmos.

Davi é responsável por 73 salmos — quase metade da coleção. O material destaca que as circunstâncias da vida de Davi articulam organicamente sua poesia: quando jovem pastor (Sl 8, 19, 23, 29), quando fugindo de Saul (Sl 15, 18, 24, 68), quando guerreando (Sl 20, 21, 60), quando confessando pecados (Sl 32, 38, 51) e em seus últimos anos (Sl 61, 62, 65). Essa correspondência entre experiência biográfica e expressão poética é uma das razões da durabilidade dos Salmos de Davi — eles nascem de situações reais e por isso alcançam situações reais de leitores de todas as gerações.

Outros autores incluem Asafe (12 salmos), os filhos de Coré (11-12 salmos), Salomão (Sl 72 e 127), Moisés (Sl 90), Hemã (Sl 88) e Etã (Sl 89). Aproximadamente um terço dos salmos é de autoria não identificada — os “salmos órfãos”. O período de composição abrange quase mil anos: do Salmo 90 de Moisés (século XV a.C.) até salmos escritos após o retorno do cativeiro babilônico (século VI a.C., como o Sl 147). Essa abrangência temporal revela que o Saltério não é uma obra de um período ou de uma escola — é o hino de uma nação ao longo de toda a sua história.

2 — Características da poesia hebraica

2.1 A poesia lírica: musical, subjetiva, emocional e breve
Nossas pesquisas e também com apoiado em Leland Ryken, define a poesia lírica como “um pequeno poema para ser cantado, expressando pensamentos e principalmente os sentimentos do escritor”. Essa definição articula quatro características que o material identifica como constitutivas da poesia lírica nos Salmos.

Primeira: é musical. Os Salmos foram compostos para ser entoados com acompanhamento de instrumentos. Isso explica a presença de terminologia musical nos títulos — Mizmor (canção acompanhada com instrumentos de cordas), Maschil (salmo de entendimento ou de habilidade), Miktam (possivelmente expiatório), Tephillah (oração), Tehillah (canção de louvor). Walton e colaboradores ressaltam que o culto no templo de Jerusalém era uma experiência profundamente multissensorial: visão (os rituais), olfato (o incenso), tato (a participação nos sacrifícios) e audição (os cantos e instrumentos). Os Salmos eram a trilha sonora da presença de Deus em Israel.

Segunda: é subjetiva. O salmista expressa seus próprios pensamentos e sentimentos como representante de todos. Mesmo quando usa o plural “nós”, ele fala de experiências pessoais que são universais. Isso explica por que os Salmos atravessam culturas e milênios com sua força intacta: a subjetividade profunda do salmista toca a subjetividade profunda do leitor.

Terceira: enfatiza as emoções. Os Salmos “foram escritos para ser teatrais” — eles não apenas comunicam informação sobre as emoções; eles as evocam. Para retratar emoções intensas, recorrem a figuras como a hipérbole: “Todas as noites faço nadar o meu leito” (Sl 6.6). O propósito não é entretenimento, mas ênfase — fazer com que a verdade seja sentida, não apenas compreendida.

Quarta: é breve. As emoções não podem ser sustentadas em alta intensidade por tempo indeterminado; os salmos são calibrados para atingir o clímax e se resolver. O Salmo 119, o mais longo, é uma exceção estruturada — cada seção completa um ciclo alfabético, e a extensão serve ao propósito pedagógico de completar o percurso das letras do alfabeto hebraico.

2.2 O paralelismo: a técnica fundamental da poesia hebraica

O paralelismo é, “a técnica poética básica da poesia hebraica”. Compreendê-lo é indispensável para uma leitura adequada dos Salmos. O bispo Robert Lowth, em suas Lectures on the Sacred Poetry of the Hebrews (1753), foi o primeiro estudioso moderno a sistematizar a teoria do paralelismo hebraico — uma das contribuições mais duradouras dos estudos bíblicos modernos.

A essência do paralelismo é que “a primeira linha do poema é paralela ou equilibrada com a segunda linha, em uma das diversas maneiras”. O material identifica os três tipos principais:

Paralelismo Sinônimo: a segunda linha repete ou reproduz a primeira em palavras semelhantes, aprofundando ou ampliando a ideia. Salmo 19.1: “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas maos.” O objetivo não é mera repetição, mas intensificação — a verdade é dita duas vezes para ser sentida com mais força.

Paralelismo Antitético: a segunda linha expressa a ideia oposta à primeira, criando contraste iluminador. Salmo 1.6: “Pois o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá.” O contraste não é decorativo; ele comunica uma visão de mundo — há dois caminhos, e eles levam a destinos radicalmente diferentes.

Paralelismo Sintético ou Construtivo: a segunda linha completa ou amplifica a primeira, adicionando elementos que desenvolvem a ideia inicial. Salmo 19.7: “A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos simples.” Cada segunda linha não repete, mas avança — a lei é perfeita e tem um efeito; o testemunho é fiel e tem outro efeito.

O material ressalta uma vantagem extraordinária do paralelismo: ele se preserva na tradução. Enquanto a rima e o ritmo de sons se perdem ao mudar de língua, o paralelismo de ideias atravessa os idiomas intacto. Por isso os Salmos soam com força em hebraico, em grego, em latim, em inglês e em português — sua musicalidade é de ideias, não apenas de sons.

Waltke observa que o paralelismo não é mero ornamento literário; ele é uma epistemologia — uma forma de conhecer. A mente hebraica aprende pela justaposição e pelo contraste, não apenas pela definição linear. Colocar duas imagens ou afirmações em paralelo cria um terceiro significado que nenhuma das duas possuía isoladamente. Essa técnica é profundamente relevante para a teologia: ela comunica a riqueza multidimensional da realidade divina de uma forma que a proposição simples não alcança.

2.3 Figuras de linguagem: a poesia que faz ver

Além do paralelismo, os Salmos empregam um vasto repertório de figuras de linguagem. Essas figuras não são ornamentos supérfluos — elas são o meio pelo qual a poesia alcança o que a prosa não consegue: fazer com que verdades abstratas sejam experienciadas de forma concreta e intensa.

O símile compara duas realidades usando explicitamente a palavra “como”: Salmo 1.3 — “Ele é como a árvore plantada junto a correntes de águas.” A metáfora vai além e identifica uma coisa com outra sem o “como”: Salmo 23.1 — “O Senhor é o meu pastor.” A diferença não é apenas gramatical; a metáfora produz uma identificação mais intensa — não apenas Deus se comporta como um pastor, mas Ele é o pastor.

A hipérbole emprega o exagero para enfatizar: Salmo 6.6 — “Todas as noites faço nadar o meu leito” (de lágrimas). Ninguém afoga literalmente sua cama em lágrimas — mas essa imagem comunica com uma força que nenhuma descrição literal poderia igualar a profundidade do sofrimento do salmista.

A personificação atribui qualidades humanas a realidades inanimadas: Salmo 35.10 — “Todos os meus ossos dirão: Senhor, quem contigo se assemelha?” A antropopatia, por sua vez, atribui paixões e sentimentos humanos a Deus: Salmo 6.1 — “Senhor, não me repreendas na tua ira, nem me castigues no teu furor.” Essas figuras não são inexatidões teológicas; elas são o modo pelo qual o ser humano fala de um Deus que excede toda linguagem, usando a linguagem que tem.

O Saltério como manual de oração e guerra espiritual

3 — A classificação dos Salmos e seus propósitos

3.1 Os gêneros sálmicos e sua função litúrgica

Vejamos a classificação dos Salmos segundo suas características literárias e funcionais. Os principais gêneros identificados são: salmos de louvor, salmos de lamento, salmos de ação de graças, salmos de romagem (ou de peregrinação), salmos reais, salmos sapienciais e salmos imprecatórios. Cada gênero corresponde a uma necessidade específica da experiência humana e do culto de Israel.

Walton e colaboradores ressaltam que o Saltério era o livro litúrgico do Templo de Jerusalém — cada tipo de salmo tinha seu lugar no calendário litúrgico e nos diferentes momentos do culto. Os Salmos de romagem (Sl 120–134) eram cantados nas subidas a Jerusalém nas três grandes festas anuais. Os Salmos reais (como Sl 2, 72, 110) eram usados nas cerimônias de coroação e celebrações dinásticas. Os Salmos de lamento eram a resposta litúrgica às crises pessoais e nacionais.

Waltke observa que a estrutura dos cinco livros do Saltério (Sl 1–41; 42–72; 73–89; 90–106; 107–150) não é acidental — ela replica a estrutura do Pentateuco, o que levou os rabinos a chamar o Saltério de “o Pentateuco Poético”. Cada livro termina com uma doxologia. Essa estrutura revela a intenção editorial: o Saltério não é uma coleção aleatória de poemas, mas um livro teologicamente organizado que percorre toda a amplitude da experiência de Israel com seu Deus.

3.2 O Salmo 1: o portão de entrada do Saltério
O Salmo 1 funciona como prólogo editorial de todo o Saltério, e sua mensagem articula o princípio organizador de toda a coleção. Ele apresenta dois caminhos — o do justo e o do ímpio — e usa a imagem da árvore plantada junto a correntes de água para descrever o florescimento daquele que medita na lei de Deus dia e noite.

A palavra traduzida por “meditar” (הָגָה, hagah) é a mesma usada para o rugido do leão e o murmúrio do pombo — ela indica uma reflexão internalizada, quase física, uma ruminação que incorpora a palavra no interior do ser. O Salmo 1 afirma que a prosperidade do justo não é acidental; ela nasce de uma relação sustentada com a Palavra de Deus. Esse é o fundamento de toda a teologia dos Salmos: a vida florescente é a vida enraizada em Deus.

Para a tradição pentecostal, esse salmo estabelece que a espiritualidade autêntica não é episódica — ela é cotidiana. O crente que prospera é aquele que não apenas ora nos momentos de crise, mas que habita na presença de Deus como a árvore habita junto à água. O Saltério, começando com o Salmo 1, é um convite a essa habitação permanente

4 — Os Salmos como manual de oração

4.1 O Saltério como escola de oração

Uma das contribuições mais práticas do Saltério é sua função como manual de oração. Os Salmos ensinam a orar não apenas pelo que dizem, mas pela forma como dizem. Eles modelam uma postura de oração que é simultaneamente honesta, teológica e confiante — uma combinação que raramente é ensinada de forma explícita, mas que os Salmos demonstram ao vivo.

O Salmo 23 é talvez o exemplo mais conhecido dessa pedagogia. Em seis versículos, ele percorre o arco completo da confiança: da provisão cotidiana (“pastos verdes”, “águas tranquilas”) à presença em meio à adversidade (“vale da sombra da morte”), à comunhão na mesa preparada diante dos inimigos, até a perspectiva eterna da bondade e misericórdia. Essa é a estrutura da oração madura: não a ausência de dificuldade, mas a presença do Pastor em toda dificuldade.

Odilon Massolar Chaves, em O Deus revelado nos Salmos de Davi, identifica nos salmos de Davi uma progressão teológica que vai da aflição ao louvor. O Salmo 6 começa com clamor: “Ó Deus, quando virás me curar?” e termina com a certeza: “O Senhor me ouve quando choro; ele me escuta quando peço ajuda.” O Salmo 51 começa com confissão: “Eu conheço bem os meus erros” e termina com a promessa de louvor restaurado: “Os meus lábios proclamarão o teu louvor.” Os Salmos ensinam que a oração não começa no lugar certo — ela chega lá.

4.2 O lamento como oração legítima

Um dos aspectos mais revolucionários do Saltério como manual de oração é seu tratamento do lamento. Aproximadamente um terço dos 150 salmos são salmos de lamento — individuais ou coletivos — em que o salmista expressa diante de Deus sofrimento, confusão, abandono e até acusação. O Salmo 22 começa com o clamor que Jesus repetirá na cruz: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” O Salmo 88 é um dos poucos que termina sem resolução, sem volta ao louvor — apenas com escuridão.

A existência desses salmos no cânon sagrado é uma declaração teológica: Deus não apenas tolera o lamento — Ele o acolhe como oração legítima. A fé bíblica não exige que o crente finja estar bem quando não está. Ela convida o crente a levar ao Deus vivo exatamente o que está vivendo — incluindo a dor, a confusão e o aparente silêncio divino.

Walton e colaboradores observam que os salmos de lamento do Antigo Oriente Próximo seguiam um padrão formal de queixa ritualizada, mas os salmos hebraicos introduzem uma dimensão que os vizinhos desconheciam: a relação pessoal entre o salmista e YHWH que torna o lamento possível. Só se lamenta a alguém com quem se tem um relacionamento. O lamento nos Salmos é, paradoxalmente, uma expressão de fé — fé de que Deus ouve, de que Ele se importa, e de que a situação presente não é a última palavra.

4.3 O Salmo 51: a oração de confissão como modelo

O Salmo 51 — escrito por Davi após o pecado com Bate-Seba e o homicídio de Urias — é o modelo bíblico mais completo de oração penitencial. Odilon Massolar Chaves, comentando esse salmo, destaca que ele revela “todo o drama de Davi por ter pecado” e que “Davi faz uma oração muito profunda e sincera. Ele reconhece seu pecado e se arrepende.” A estrutura do salmo é ela mesma pedagógica: confissão plena (vs. 1-5), pedido de transformação interior (vs. 6-12), promessa de testemunho e louvor restaurado (vs. 13-17) e intercessão pela comunidade (vs. 18-19).

O versículo central do salmo é teologicamente extraordinário: “Ó Deus, o meu sacrifício é um espírito humilde; tu não rejeitarás um coração humilde e arrependido” (Sl 51.17). Esta afirmação antecipa a crítica profética ao ritualismo vazio — não é o sacrifício do altar que agrada a Deus, mas o sacrifício do coração contrito. Jesus retomará esse princípio em Mateus 5.3 (“Bem-aventurados os pobres de espírito”) e o sistema sacrificial do Levítico encontra aqui sua articulação mais interior e pessoal.

5 — O Saltério como texto de guerra espiritual

5.1 Os Salmos reais e messiânicos: o Rei que vence

Uma das dimensões mais poderosas do Saltério como texto de guerra espiritual é o ciclo de Salmos Reais e Messiânicos (Sl 2, 22, 45, 72, 110 entre outros). Esses salmos descrevem a soberania de YHWH e de seu Rei ungido sobre as nações, sobre os inimigos e sobre toda oposição ao plano divino. O Salmo 2 declara com autoridade que as conspirações das nações contra YHWH e seu Ungido são vãs — Deus ri dos que se opõem a Seu plano e instala Seu Rei em Sião.

O Salmo 110 — o salmo mais citado no Novo Testamento — apresenta o Ungido como Sacerdote-Rei segundo a ordem de Melquisedeque, sentado à direita de Deus até que Seus inimigos se tornem escabelo de Seus pés. Jesus identificou esse salmo como referindo-se a Si mesmo (Mt 22.41-45), e a Epístola aos Hebreus o utiliza extensivamente para articular o sacerdócio eterno de Cristo (Hb 5, 7). A guerra espiritual dos Salmos não é uma batalha que o salmista vence por si — é uma batalha vencida pelo Rei ungido de YHWH.

5.2 Os Salmos imprecatórios: clamor por justiça divina
Os Salmos imprecatórios — aqueles que pedem a destruição dos inimigos (como Sl 35, 58, 69, 83, 109, 137) — são frequentemente considerados o aspecto mais desconcertante do Saltério para o leitor cristão. Eles incluem expressões de intensidade perturbadora, como o pedido de que os filhos dos inimigos sejam destruídos (Sl 137.9).

A hermenêutica correta desses salmos requer vários enquadramentos. Primeiro: eles são orações, não ações — o salmista entrega a vingança a Deus em vez de tomá-la em suas próprias mãos (cf. Rm 12.19). Segundo: eles expressam a indignação moral do crente contra o mal — o que perturbaria seria a ausência de indignação diante da injustiça extrema. Terceiro: muitos deles se referem a inimigos do plano de Deus, não a inimigos pessoais triviais — sua linguagem é escatológica, referindo-se ao julgamento divino final sobre o mal.

Waltke observa que os Salmos imprecatórios devem ser lidos à luz da revelação progressiva: eles são a expressão máxima do clamor por justiça dentro dos limites do Antigo Testamento, antes que a revelação do amor ao inimigo em Cristo (Mt 5.44) aprofundasse a ética da resposta ao mal. Mas mesmo sob a nova aliança, o clamor por justiça divina permanece legítimo — o Apocalipse 6.10 registra as almas sob o altar clamando: “Até quando, Senhor?” com linguagem que ressoa os Salmos imprecatórios.

5.3 O louvor como arma espiritual

A tradição pentecostal tem uma compreensão profunda de algo que os Salmos articulam de forma sistemática: o louvor como forma de guerra espiritual. Quando Josafá mandou os cantores diante do exército (2Cr 20.21-22), o louvor precedeu a vitória. Quando Paulo e Silas cantaram salmos na prisão à meia-noite (At 16.25), a terra tremeu e as correntes se soltaram.

Nos Salmos, essa conexão entre louvor e vitória não é superstição ritualística — ela tem uma lógica teológica profunda. O louvor é um ato de fé que declara a soberania de Deus sobre as circunstâncias presentes antes que essa soberania seja visivelmente manifestada. Ele reorienta o salmista — e a comunidade que ora — da realidade visível dos problemas para a realidade invisível mas mais real do Deus que governa toda a situação.

O Salmo 22 exemplifica esse movimento: começa com o clamor do abandono e termina com a proclamação da soberania de Deus para as gerações futuras (Sl 22.27-31). O salmista não chegou ao louvor porque as circunstâncias mudaram — chegou porque sua perspectiva sobre Deus mudou. O louvor não é a resposta ao problema resolvido; é a postura que permite enfrentar o problema sem ser dominado por ele.

BOX DE INTERAÇÃO
Reflexão Teológica 

- O Saltério abrange toda a amplitude da experiência humana diante de Deus: louvor e lamento, confiança e confissão, clamor e silêncio. A poesia hebraica usa o paralelismo, as figuras de linguagem e a estrutura lírica não apenas para descrever experiências espirituais, mas para produzi-las no leitor. Como a compreensão do paralelismo pode transformar a maneira como você lê e ora os Salmos? Escolha um salmo e identifique os tipos de paralelismo presentes, analisando como cada tipo aprofunda o significado da passagem.

- O Saltério inclui salmos de louvor, lamento, confissão, imprecação e contemplação messiânica. Essa variedade não é um acidente literário — ela reflete a amplitude da experiência humana diante de Deus. Como a presença de salmos de lamento no cânon sagrado desafia uma espiritualidade que valoriza apenas as emoções positivas? De que forma o Salmo 22 — que começa com o clamor do abandono e termina com a proclamação da soberania divina — modela uma espiritualidade de guerra espiritual que passa pelo lamento para chegar ao louvor?

Atividade Acadêmica

Leia os Salmos 1, 22, 51 e 110 e, para cada um, identifique:
O gênero sálmico (louvor, lamento, confissão, messiânico etc.) e como a estrutura do salmo corresponde a esse gênero.

Os tipos de paralelismo presentes e como cada instância aprofunda o significado da passagem.

Pelo menos duas figuras de linguagem e o que cada uma comunica que a linguagem literal não alcançaria.

Como o salmo funciona como oração, como texto de guerra espiritual ou como ambos.

Conteúdo Bônus

A Gramática do Ser Humano Diante de Deus: Poesia, Lamento e Louvor nos Salmos

Existe uma diferença profunda entre falar sobre Deus e falar com Deus. Os livros narrativos e legislativos da Bíblia fazem, em grande parte, a primeira coisa: descrevem quem Deus é, o que Ele fez, o que Ele ordena. Os Salmos fazem, majoritariamente, a segunda: endereçam-se diretamente ao Deus que revelou tudo isso, com a voz do ser humano que experimentou essa revelação no cotidiano, na crise, na alegria, no fracasso e no silêncio. Essa distinção não é literária — é teológica. Ela revela que Deus não apenas quer ser conhecido; Ele quer ser respondido. O Saltério é o registro mais abrangente dessa resposta ao longo de quase mil anos de história israelita. É, em certo sentido, a humanidade em oração — com toda a sua complexidade, contradição e beleza.

O paralelismo — a técnica poética fundamental da poesia hebraica — não é um artifício estético. É uma epistemologia. A mente hebraica aprende pela justaposição e pelo contraste, não pela definição linear. ‘Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas mãos’: a segunda linha não é uma repetição supérflua da primeira — ela cria um terceiro significado que nenhuma das duas possuía isoladamente. O firmamento e os céus dizem coisas diferentes sobre o mesmo Deus; juntos, dizem algo que nenhum dos dois diria sozinho. Waltke observa que isso comunica algo sobre a realidade divina que a proposição simples não alcança: a riqueza multidimensional de Deus precisa ser abordada por múltiplos ângulos simultâneos. O paralelismo é, portanto, a forma que a revelação assume quando o que está sendo dito excede o que uma única linha pode conter.

A presença dos salmos de lamento no cânon sagrado é uma das declarações teológicas mais corajosas de toda a Escritura. Aproximadamente um terço do Saltério — a obra mais usada em todo o culto cristão e judaico — é composto de textos onde o ser humano acusa Deus de estar ausente, questiona sua justiça, chora sem receber resposta, e às vezes não encontra resolução no final do poema. O Salmo 88 termina na escuridão. O Salmo 22 começa com o clamor que Jesus repetirá na cruz. A existência desses textos no cânon diz: Deus não apenas tolera o lamento — Ele o canonizou.

Ele o inscreveu como palavra viva para todas as gerações. Uma espiritualidade que exige que o crente finja estar bem quando não está está produzindo um tipo de fé que o Saltério não conhece — e que, precisamente por isso, é frágil. O lamento é fé na forma mais honesta: é dirigir-se a Deus com o que realmente existe, não com o que deveria existir.

E então há o louvor como guerra espiritual — não como técnica de manipulação do divino, mas como ato de fé que declara a soberania de Deus sobre as circunstâncias antes que essa soberania seja visível. O Salmo 22 percorre um arco extraordinário: do abandono à proclamação, sem que as circunstâncias tenham mudado durante o poema. O que mudou foi a perspectiva do salmista — e essa mudança de perspectiva é, em si mesma, a vitória. Para a tradição pentecostal, que aprendeu com Josafá a mandar os cantores antes do exército e com Paulo e Silas a cantar na prisão à meia-noite, os Salmos são mais do que poesia: são o manual de como o ser humano de fé habita a realidade sem ser dominado por ela. O lamento é o caminho; o louvor é o destino. E o Saltério é o mapa — com toda a honestidade de quem já percorreu esse caminho e chegou do outro lado, ainda cantando.

Referência Bibliográfica
CHAVES, Odilon Massolar. O Deus revelado nos Salmos de Davi: com comentarios de Joao Wesley. Biblioteca Digital Wesleyana, 2024.
WALTKE, Bruce K. Teologia do Antigo Testamento: uma abordagem exegetica, canonica e tematica. Sao Paulo: Vida Nova, 2010.
WALTON, John H. O pensamento do Antigo Oriente Proximo e o Antigo Testamento: introducao ao mundo conceitual da Biblia hebraica. Sao Paulo: Vida Nova, 2010.
WALTON, John H.; MATTHEWS, Victor H.; CHAVALAS, Mark W. Comentario historico-cultural da Biblia: Antigo Testamento. Belo Horizonte: Editora Vida, 2003.