Essa mensagem à igreja de Esmirna descrita em Apocalipse 2. 8 a 11 é única: junto com a igreja de Filadélfia, Esmirna é uma das duas que não recebe nenhuma repreensão de Jesus. No entanto, o conforto vem acompanhado de um aviso inquietante sobre o sofrimento iminente.
1. "Não temas o que hás de padecer"
Jesus começa o versículo com um comando que parece contraditório: não ter medo, logo antes de listar motivos reais para se ter medo.
Na realidade do sofrimento Jesus não mascara a dor. Ele não promete livramento do sofrimento, mas fidelidade no sofrimento.
Na identidade de Quem fala para uma igreja que enfrentava a morte, Jesus se apresenta no versículo 8 como "o Primeiro e o Último, que foi morto e reviveu" . O aviso é inquietante, mas a autoridade de quem avisa é sobre a própria morte.
2. Os três avisos inquietantes no versículo 10 detalha o tamanho da perseguição que estava prestes a cair sobre eles:
A Ação do Inimigo: "O Diabo lançará alguns de vós na prisão"
Embora a perseguição fosse executada por homens (autoridades romanas ou incitadores locais - judeus), Jesus revela a causa espiritual.
A Prisão: No contexto romano, a prisão não era a pena final, mas o lugar de espera para o julgamento ou a execução. O aviso aqui é de uma separação dolorosa e incerteza física.
O Propósito da Prova: "Para que sejais tentados (provados)"
A palavra grega peirasthēte (do grego: πειρασθῆτε, peirasthēte) é uma forma verbal no grego koiné, usada no Novo Testamento, que significa "para que sejais provados", "serdes tentados" ou "serdes testados". Sugere um teste de refinamento.
O aviso é inquietante porque revela que Deus permite que Sua igreja passe pelo fogo. A intenção não é a destruição, mas a demonstração da autenticidade da fé.
A Duração Determinada: "Tereis uma tribulação de dez dias"
Existem duas interpretações principais para esses "dez dias":
Literal/Curto: Um período breve e determinado, indicando que o sofrimento tem um limite estabelecido por Deus.
Simbólico: Uma referência às dez perseguições gerais do Império Romano. As dez perseguições gerais do Império Romano foram campanhas sistemáticas contra os cristãos, do século I ao IV, motivadas pela recusa ao culto imperial e politeísmo, vistas como ameaça à unidade romana. Iniciadas por Nero (64) e encerradas com o Édito de Milão (313), estas perseguições, destacando-se as de Décio e Diocleciano, moldaram a identidade da Igreja Primitiva através do martírio.
A lista tradicional das "Dez Perseguições" é frequentemente associada a uma inspiração nas pragas do Egito, englobando os seguintes imperadores:
- Nero (64-68 d.C.): Primeira grande perseguição, após o incêndio de Roma, com torturas brutais a cristãos.
- Domiciano (90-96 d.C.): Perseguição motivada pela exigência de adoração ao imperador.
- Trajano (98-117 d.C.): Estabeleceu a política de não procurar cristãos, mas puni-los se denunciados e não sacrificarem aos deuses.
- Adriano (117-138 d.C.): Continuação da política de restrição e perseguições locais.
- Marco Aurélio (161-180 d.C.): Perseguição intensa em várias províncias, incluindo Lyon.
- Sétimo Severo (202-211 d.C.): Proibiu a conversão ao cristianismo.
- Maximino Trácio (235-236 d.C.): Focou no clero e líderes da igreja.
- Décio (249-251 d.C.): Primeira perseguição sistemática em todo o império, exigindo libellus (certificado de sacrifício).
- Valeriano (257-260 d.C.): Proibiu reuniões e ordenou a execução de bispos.
- Diocleciano/Galério (303-311 d.C.): A "Grande Perseguição", a mais severa, visando destruir escrituras, igrejas e lideranças.
A inquietude: Mesmo sendo "pouco" tempo no cronograma eterno, dez dias de tortura ou espera pela morte são uma eternidade para quem os vive.*
3. O Desafio Final: A Fidelidade até a Morte
A frase "Sê fiel até a morte" é o ápice do aviso. Jesus não está pedindo apenas lealdade durante uma vida longa, mas lealdade ao ponto de entregar a vida.
O Contraste das Coroas: Esmirna era conhecida como a "Coroa da Ásia" por sua beleza e arquitetura. Jesus promete algo superior: a Coroa da Vida (stephanos), a guirlanda da vitória dada ao atleta que termina a corrida.
*Um Paradoxo de Esmirna* entre o que o mundo via e o que Jesus via:
- O mundo via pobreza materia. Jesus via riqueza espiritual.
- O mundo via derrota na prisão. Jesus via vitória na fidelidade.
- O mundo via morte iminente. Jesus via vida eterna.
- O mundo via sinagoga de Satanás. Jesus via a Igreja Fiel.
*Uma Reflexão para Hoje:*
O aviso a Esmirna nos lembra que o cristianismo bíblico não é uma apólice de seguro contra problemas, mas uma garantia da presença divina no meio deles. A "inquietude" do aviso serve para nos desestabilizar de uma fé superficial e nos ancorar na esperança da ressurreição.
.gif)

.gif)



.jpeg)
.jpeg)

.gif)



.jpeg)
.jpeg)

.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)

.jpeg)
.jpeg)








.gif)



.gif)



