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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

"MITOS, CRENDICES E A VERDADE DA PALAVRA" - PARTE 2



           Por Markus DaSilva, Th.D.

           MALDIÇÃO HEREDITÁRIA

          Na primeira parte desta pequena série, estabelecemos a base para que tenhamos um melhor entendimento sobre bênçãos e maldições segundo a bíblia. Explicamos que muito do que se ouve sobre este assunto não passa de superstições; conceitos populares sensacionalistas sem o respaldo da Palavra. São estes tipos de fábulas que fornecem abundante material para a proliferação desenfreada de falsos profetas, falsos pastores, falsos missionários, falsos apóstolos, falsos bispos e outros exploradores da consciência e do sofrimento alheio (1 Timóteo 4:7Mateus 7:15).
“Não é porque um simples ser humano, de calça ou saia, grita, bate o pé, impõe a mão e unge alguém, que Deus se vê em posição de ter que solucionar os problemas e dificuldades que a pessoa enfrenta.”
          O padrão claramente estabelecido nas escrituras é que todas as bênçãos proferidas por Deus estão ligadas à obediência (Lucas 11:28). Da mesma forma, toda a maldição que Deus colocou sobre alguém foi sempre devido à desobediência à sua palavra. Esta verdade incontestável pode ser verificada logo de imediato no relato da criação, em Gênesis 3, quando a desobediência de Adão e Eva foi a causa de uma série de maldições colocadas sobre o casal, a serpente, e até sobre a própria terra em que vivemos. Em seguida, no capítulo 4, uma outra maldição é proferida sobre Caim, por ter assassinado o seu próprio irmão.
          Em se tratando de bênçãos, a maior delas foi a de Abraão, também em Gênesis, como um reconhecimento de Deus pela demonstração de uma fé inabalável demonstrada por ele ao abandonar a sua terra natal e ao se dispor a sacrificar o seu próprio filho em obediência à palavra do Senhor. Foi por causa desses atos de obediência que Deus abençoou a Abraão e separou (santificou) os seus descendentes para servir ao Senhor em total devoção e submissão a Ele a aos seus mandamentos: “porquanto fizeste esta ação e não me negaste o teu filho, o teu único, que deveras te abençoarei e grandissimamente multiplicarei a tua semente como as estrelas dos céus e como a areia que está na praia do mar” (Gênesis 22:16-17). Este povo separado foi a nação de Israel até o sacrifício do Messias e o Israel espiritual, o povo cristão, até o presente: “E farei de ti uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome, e tu serás uma bênção” (Gênesis 12:2). Que esta bênção se estende até a nós é explicado pelo nosso irmão Paulo: “E, se sois de Cristo, então, sois descendência de Abraão e herdeiros conforme a promessa” (Gálatas 3:29Gálatas 3:14).
          Irmãos, eu precisaria de muitas páginas se fosse comentar aqui todas as bênçãos e maldições proferidas por Deus e de como todas elas estão ligadas à obediência ou à rebeldia do seu povo, mas não vejo necessidade de fazê-lo, pois a principal razão desta série é pôr abaixo algumas crendices sem fundamento bíblico.
          Primeiro, nenhum líder possui autoridade do Senhor para proferir bênçãos arbitrariamente sobre qualquer alma. Não é porque um simples ser humano, de calça ou saia, grita, bate o pé, impõe a mão e unge alguém, que Deus se vê em posição de ter que solucionar os problemas e dificuldades que a pessoa enfrenta. Não existe nenhuma menção na palavra de Deus de rituais ou cultos especiais para o recebimento de bênçãos. Deus sim, abençoará todo aquele que se arrepende, se humilha, se converte, morre para este mundo, e procura servi-lo fielmente (2 Crônicas 7:14Mateus 5:5Isaías 29:19). O filho fiel, na realidade, nem precisa pedir por bênçãos pois elas são naturalmente enviadas pelo nosso amado Deus, como nos disse o próprio Jesus: “O seu Pai no céu sabe que vocês precisam de todas estas coisas” (Mateus 6:32).
          Segundo, aquilo que se conhece por maldição hereditária, maldição de gerações ou ainda maldição geracionais, simplesmente refere-se às consequências de uma vida de rebeldia a qual os pais, pelo ensino e mau exemplo, passam para os seus filhos. Todos nós conhecemos famílias que possuem gerações de filhos violentos, abusadores, alcoólatras, fumantes, depravados, e outros males semelhantes ou ainda piores. Não foi Deus que, sem qualquer motivo, colocou sobre os filhos as mesmas propensões para o mal que as gerações anteriores possuíam, mas sim os seus pais que os ensinaram, direta ou indiretamente, a seguir no erro (1 Reis 15:31 Reis 15:261 Reis 22:52). Em outras palavras, maldição hereditária geralmente é uma violência física e espiritual autoinfligida.
          Quanto à como interromper, ou quebrar, uma maldição hereditária, o método é o mesmo que todo o pecador, incluindo eu, precisa usar para se ver livre da escravidão do pecado: uma genuína entrega a Cristo. Não se quebra maldição hereditária através de doações, visitando uma determinada igreja, assistindo a um programa de T.V., ou bebendo uma água ungida. Reconheço que alguns que procuram a ajuda dos exploradores da fé o fazem por ignorância, mas muitos preferem esses métodos porque no fundo não querem abandonar os seus pecados e buscam por atalhos que não solucionam os seus problemas; “cavam cisternas quebradas, que não retêm água” (Jeremias 2:13).
          Queridos, o nosso Deus possui uma paciência indescritível para com todos nós, pecadores, e está sempre disposto a interromper qualquer maldição hereditária presente nas famílias. O Senhor realmente punirá a iniquidade dos pais que segue existindo nas gerações seguintes, mas nunca o fará quando os filhos se arrependem e se voltam para ele: “A pessoa que pecar, essa sim pagará pelos seus pecados. O filho não será culpado por causa do pai, nem o pai levará a culpa do filho” (Ezequiel 18:20). Além do que, irmãos, o Senhor não tem nenhum prazer na morte do ímpio, mas prefere sim que ele se arrependa e viva (Ezequiel 33:11).
          Sim, sabemos que as escrituras nos fala sobre maldição hereditária (embora não exatamente nestes termos), mas de forma alguma como os interesseiros ensinam. Observe a verdade e veja como o nosso Deus é bondoso em suas próprias palavras: “Visito a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam” (Êxodo 20:5b). Note que a punição ocorre aos filhos que seguem odiando, ou desprezando o Criador assim como os seus pais os faziam; Deus não está punindo a nenhum inocente. Observe agora o verso que vem logo a seguir: “Mas trato com bondade e misericórdia a milhares [de gerações] que me amam e guardam os meus mandamentos” (Êxodo 20:6). Compare quatro com milhares e decida você mesmo qual é realmente a vontade do nosso amado Pai? O nosso Deus quer amaldiçoar ou abençoar a vocês? Certamente que o desejo do Senhor é sempre a bênção e não a maldição. Espero te ver no céu.
http://br.markusdasilva.org

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

"MITOS, CRENDICES E A VERDADE DA PALAVRA" - PARTE 1


          Por Markus DaSilva, Th.D.

          Há cerca de um ano, em um outro texto, expliquei que tudo aquilo que se entende por mal, na realidade é apenas a ausência do bem. Só existe o defeituoso porque existe o perfeito. Só existe o quebrado porque existe o inteiro. Só existe o errado porque existe o certo. E todos esses males são reconhecidos como males porque temos uma noção, ou consciência do bem; o bem é o nosso ponto de referência, e a fonte de todo o bem é o Criador (Tiago 1:17). Quanto maior a distância da fonte mais se experimenta o mal, assim como a escuridão aumenta à medida que nos distanciamos da luz (Daniel 2:22; I  João 1:5). Entendemos então que o mal pode se manifestar de várias formas e em vários graus, mas ele não possui uma origem em si mesmo, pois no seu estado original, tudo o que existe é bom (Gênesis 1:31a; I Timóteo 4:4). Quando o bem é exaltado, o mal diminui; quando o bem domina o mal é repreendido. Quando o Rei dos reis estabelecer o seu reinado eterno, o bem estará presente de uma forma tão plena e contínua que o mal nunca mais terá a possibilidade de ressurgir (Apocalípse 21:4Daniel 7:13-14).
“Tudo o que é bom flui naturalmente do trono de Deus e é quando nos aproximamos do trono que nos beneficiamos da Sua bondade.”
          Foi necessário a explicação acima para entendermos que quando a bíblia fala de bênçãos é sempre em conexão com uma aproximação de Deus, e da mesma forma, toda a menção de maldições se relaciona com o distanciamento do Senhor. Isso ocorre porque tudo o que é bom flui naturalmente do trono de Deus e é quando nos aproximamos do trono que nos beneficiamos da Sua bondade. Este conceito é tão forte e verdadeiro que na consagração do Templo de Salomão, onde a glória de Deus se manifestou poderosamente, ficou estabelecido que até mesmo quando o povo estivesse em batalha, distante de Jerusalém, se eles clamassem a Deus na direção do templo, o Senhor os abençoaria (II Crônicas 6:34-35). Anos depois, mesmo com o templo em ruínas, pela fé, Daniel utilizou dessa promessa no exílio e orava na direção da “casa de Deus” (Daniel 6:10).
          Todas as bênçãos de Deus são condicionais à obediência à sua palavra (Deuteronômio 7:12Isaías 1:19-20; I João 1:7). Esta é a razão pela qual existe tanto sofrimento entre aqueles que se chamam de cristãos. O cristão que procura a Deus para receber bênçãos, mas que não se atenta em obedecê-lo de todo o coração, está procurando em vão (Jeremias 5:25bIsaías 59:2Provérbios 15:29). Infelizmente isso ocorre frequentemente nas igrejas, conforme já mencionei em um outro texto: “Deus pede obediência, mas cantamos e tocamos instrumentos; pede obediência, mas pulamos e batemos palmas; pede obediência, mas levantamos as mãos e dançamos, franzimos a testa, choramos copiosamente e nos prostramos no chão” (Leia: A Oferta De Caim).
          Quando falamos de maldição, devemos primeiramente entender que esta palavra é frequentemente compreendida de forma errada. Imaginam maldição como uma espécie de praga, ou palavras negativas com poder destruidor que são lançadas sobre alguém. Maldição, porém, é simplesmente a falta de bendição, mal versus bem, como explicado acima: onde não existe o bem, o mal prevalece. Nenhuma palavra negativa proferida por homem tem poder sobre a pessoa que se aproxima do Trono em humildade e obediência: “O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O Senhor é a força da minha vida; de quem me recearei?” (Salmo 27:1). Os verdadeiros filhos de Deus jamais serão amaldiçoados, como podemos confirmar na experiência de Balaque e Balaão contra os israelitas. Por outro lado, a pessoa que se afasta de Deus, naturalmente está sob uma maldição, mesmo que nenhuma praga seja lançada sobre ela. Assim sendo, também não existe nenhum benefício em pronunciar bênçãos sobre alguém que recusa conscientemente a obedecer a Deus. O Senhor não se encontra em nenhuma obrigação de abençoar uma pessoa simplesmente porque um simples ser humano pronunciou certas palavras positivas sobre ela.
          Queridos, nesta série procuraremos lançar um pouco de luz sobre a questão de bênçãos e maldições que muitas vezes causam preocupações infundadas aos nossos irmãos, como maldição de gerações, rituais de bênçãos, e outros assuntos relacionados. Infelizmente a ignorância quanto a este tema deu origem a muitos exploradores da fé; falso profetas que, tal qual previsto, proliferam grandemente nestes últimos dias (Atos 20:30). O destino deles os aguarda quando a perfeita justiça divina se manifestar com poder e glória.
          Por agora, gostaria apenas de deixar bem claro que muito do que se entende sobre bênçãos e maldições não passa de misticismo e fantasia, e o nosso Deus não lida com crendices e mitos, mas sim com verdades (Salmo 86:11). A palavra de Deus nos fornece toda a informação necessária sobre os fatores que causam bênçãos e maldições na vida dos seres humanos, como também a capacidade que nos foi dada de interromper tanto um como o outro. Bênçãos e maldições ocorrem como consequências naturais das nossas escolhas: “Eis que hoje eu ponho diante de vós a bênção e a maldição” (Deuteronômio 11:26). 
         Espero te ver no céu.
de http://br.markusdasilva.org