
"Voltai à fortaleza,
ó presos de esperança;
também hoje vos anuncio que vos restituirei em dobro."
Zacarias 9:12
— Almeida Revista e Atualizada)
O povo de Israel estava reconstruindo suas vidas e a cidade de Jerusalém após o cativeiro, cercados de incertezas e dificuldades. A expressão mostra que, mesmo quando as circunstâncias externas parecem uma prisão, o cristão/fiel permanece "preso" e apegado à esperança em Deus, que não pode ser quebrada.
O povo de Deus sempre foi(e deve continuar sendo) o povo da esperança, confiante de que Deus triunfará no fim. Mesmo nas circuntâncias difíceis, os crentes devem sempre afirmar que sua esperança está no Senhor. "Mas agora, Senhor, que hei de esperar? A minha esperança está em Ti."(Salmo 39. 7).
Deus não apenas promete livramento, mas assegura renovação e bênção multiplicada ("restituirei em dobro") para quem confia n'Ele durante a tempestade.
Creia!!!
1. 'A Raíz do Problema"
Ageu 1. 2 a 8
"Assim fala o Senhor dos Exércitos,
dizendo:
Este povo diz:
Não veio ainda o tempo,
o tempo em que a Casa do Senhor deve ser edificada."
Ageu 1:2
Nesta passagem, o profeta Ageu confronta os judeus retornados do cativeiro na Babilônia por volta de 520 a.C. Após o entusiasmo inicial ao lançar os alicerces do Segundo Templo, a obra ficou parada por cerca de 16 anos devido à oposição externa e à apatia espiritual interna.
Exegese e Análise Textual (vv. 2-8)
O texto apresenta uma progressão direta entre o diagnóstico do problema, as consequências da negligência e o chamado à ação.
A Desculpa do Momento Certo (v. 2)
O povo justificava a paralisação alegando que as circunstâncias políticas ou econômicas ainda não eram ideais. Ageu revela que isso era apenas racionalização para acomodação espiritual.
O Contraste de Prioridades (vv. 3-4)
Enquanto a Casa do Senhor estava em ruínas, as pessoas viviam em casas "forradas de madeira" (casas confortáveis e decoradas, símbolo de acabamento de alto padrão na época). Houve uma inversão clara de valores.
A Chamada ao Autoexame — "Considerai os vossos caminhos" (v. 5, 7)
O profeta repete duas vezes essa exortação (Simu levavchem no hebraico), que significa literalmente "ponde o vosso coração sobre os vossos caminhos". É um convite a avaliar o rumo das próprias escolhas.
A Futilidade do Esforço sem Devoção (v. 6)
Deus expõe uma lei de retribuição e frustração: "semearam muito e colheram pouco; comem, mas não se fartam". O acúmulo sem a bênção divina resulta no que o texto chama figurativamente de "saco furado".
A Ordem Prática (v. 8)
A solução divina envolve três passos simples e concretos: "Subi ao monte, trazei madeira e edificai a casa." O foco de Deus é o alinhamento do coração que se reflete na ação imediata.
Aplicações Teológicas e Práticas
Quando o ponto de tensão é a procrastinação espiritual, o sintoma é esperar pelas "condições perfeitas", mas a responta de Ageu é para servirmos e priorizarmos a fé.
O tempo de Deus é o presente, mas para eles era o adiamento refletia a falta de prioridade.
O investimento do povo era desproporcional diante do conforto pessoal em detrimento da vida comunitária e espiritual.
Devemos reavaliar o uso de recursos, tempo e talentos a serviço do propósito divino.
Só nos traz insatisfação crônicatrabalharmos exaustivamente sem encontrarmos preenchimento nas conquistas materiais.
Devemos reconhecer que a verdadeira satisfação depende de colocar o Criador no centro.
A mensagem de Ageu 1:2-8 demonstra que o alinhamento das prioridades diárias precede a manifestação da bênção e da presença de Deus na comunidade.
2. "Pensamentos de Paz"
Jeremias 29. 11
"Porque sou eu que conheço
os planos que tenho para vocês"
— declara o Senhor —
"planos de fazê-los prosperar,
não de causar dano,
planos de dar a vocês esperança
e um futuro."
Jeremias 29.11
Para compreender a profundidade desse versículo, é preciso olhar para a sua origem. Ele foi escrito em uma carta enviada pelo profeta Jeremias aos judeus que estavam exilados na Babilônia.
O povo vivia um momento de dor, incerteza e perda de identidade. Falsos profetas prometiam um retorno imediato à sua terra natal, mas Deus trouxe uma mensagem diferente: o exílio duraria 70 anos. No meio dessa longa espera, Deus revela que não havia se esquecido deles.
Significado de "Pensamentos de Paz"
A Palavra Shalom: No original em hebraico, a palavra traduzida como "paz" é Shalom. Ela vai muito além da ausência de conflito; significa plenitude, bem-estar, restauração, saúde e prosperidade integral.
Intenção Soberana: Os "pensamentos" (machashaboth) referem-se a projetos, planos e desígnios de Deus. Isso mostra que a história humana não é regida pelo acaso ou pela tirania de situações difíceis, mas pelo propósito divino.
A Restauração do Futuro: "Para vos dar o fim que esperais" (ou "um futuro e uma esperança"). O exílio era um período temporário de disciplina e amadurecimento, não um ponto final destruidor.
Aplicações Práticas
Paz em Meio ao Processo: A promessa de paz foi dada durante o cativeiro, não depois dele. Isso ensina que a paz divina não depende de circunstâncias favoráveis no presente.
Alinhamento de Mente: Quando o cenário ao redor gera ansiedade, lembrar-se dos planos de Deus ajuda a substituir pensamentos de medo por confiança.
Foco no Propósito Maior: O tempo de espera não é um tempo perdido. Serve para moldar o caráter e preparar a fé para o futuro projetado por Deus.
3. "Deus em Primeiro Lugar"
Mateus 6. 33
"Buscai,
pois,
em primeiro lugar,
o seu Reino e a sua justiça,
e todas estas coisas vos serão acrescentadas."
Mateus 6:33
No Sermão do Monte, Jesus não está apenas fazendo um convite piedoso, mas propondo uma reordenação radical da mente e das prioridades.
Mateus 6:33 é a chave para uma vida livre de ansiedade sufocante e desalinhamento espiritual: "Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu Reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas."
No Sermão do Monte, Jesus não está apenas fazendo um convite piedoso, mas propondo uma reordenação radical da mente e das prioridades.
Tradução original grego.
ζητεῖτε(Zēteite - "Buscai"): Está no tempo presente e no modo imperativo. Não significa uma busca de uma vez só. No grego, indica uma ação contínua e habitual. A tradução literal seria "continuem buscando" ou "façam disso a busca constante da sua vida".
πρῶτον (Prōton - "Em primeiro lugar"): Significa o primeiro em uma lista, mas também o primeiro em importância, relevância e tempo. Deve ser a prioridade absoluta, antes de qualquer outra preocupação.
Áreas como aplicar Mateus 6:33
Tempo: Entregar a Deus o início do dia em oração e leitura antes de checar notificações e urgências alheias.
Mente: Mudar o foco da preocupação para a confiança ativa, lembrando que a ansiedade não acrescenta uma hora de vida (v. 27).
Decisões: Consultar a Palavra de Deus antes de fechar negócios, aceitar empregos ou alinhar relacionamentos.
Colocar Deus em primeiro lugar não é uma barganha para enriquecer, mas a postura de quem reconhece que o Criador cuida melhor da nossa vida do que nós mesmos.
4. "Faça o Retorno"
Malaquias 3. 7
"Desde os dias dos vossos pais
vos desviastes dos meus estatutos
e não os guardastes;
tornai-vos para mim,
e eu me tornarei para vós,
diz o Senhor dos Exércitos;
mas vós dizeis:
Em que havemos de tornar?"
Malaquias 3:7
Malaquias 3. 7 aponta para um padrão recorrente: "Desde os dias dos vossos pais vos desviastes dos meus estatutos...". O povo de Israel enfrentava uma apatia espiritual transmitida entre gerações após o retorno do exílio na Babilônia. A desobediência raramente começa de forma brusca; costuma ser um processo gradual de negligência com os princípios estabelecidos, com os mandamentos de Deus.
A exortação vem logo após a declaração de Malaquias 3:6 ("Porque eu, o Senhor, não mudo..."). Mesmo diante da infidelidade do povo, a aliança não é destruída. A postura divina em convidar ao retorno demonstra que a graça precede a restauração.
"Tornai-vos para mim, e eu me tornarei para vós..." No hebraico, o verbo usado para "tornar-se" é shuv, que significa mudar de direção, dar meia-volta ou retornar à origem. O texto estabelece uma relação de reciprocidade espiritual: Deus não força a comunhão, mas responde prontamente ao movimento sincero do coração humano.
A resposta do povo revela falta de sensibilidade espiritual "...mas vós dizeis: Em que havemos de tornar?". Eles cumpriam rituais externos, mas não percebiam o distanciamento interno. O questionamento "Em que havemos de tornar?" reflete a dificuldade humana em reconhecer as próprias falhas quando a religiosidade se torna mecânica.
A rotina espiritual pode mascarar o afastamento do coração. É necessário avaliar a intenção por trás dos hábitos cotidianos. É necessario um autoexame contínuo.
O retorno para Deus exige uma decisão consciente de abandonar atitudes e comportamentos que nos desviam da Sua vontade. Nós é que temos que tomar a iniciativa nesse relacionamento, pois Deus está sempre de braços abertos e pronto a perdoar.
A promessa "eu me tornarei para vós" garante que nenhum distanciamento é definitivo quando há arrependimento genuíno. Deus garante que irá nos acolher, por isso, "FAÇA O RETORNO!!!"
5. "Conversão Imediata!
Jeremias 25. 4 e 5
O trecho de Jeremias 25.4-5 é um dos apelos mais marcantes do Antigo Testamento sobre a urgência da mudança de vida diante da paciência e da justiça de Deus.
"Também vos enviou o Senhor
todos os seus servos,
os profetas,
madrugando e enviando-os (...),
dizendo:
Convertei-vos agora,
cada um do seu mau caminho
e da maldade das suas ações,
e habitai na terra que o Senhor vos deu (...)"
— Jeremias 25.4-5 (ARC)
O Contexto Histórico e Estrutural
O profeta Jeremias discursava no quarto ano do rei Jeoaquim, momento exato em que a Babilônia despontava como a grande potência dominante do Oriente Médio. Por 23 anos, Jeremias pregou incansavelmente alertando sobre o perigo iminente, mas o povo permaneceu obstinado. O capítulo 25 marca o ponto de virada: a paciência divina havia chegado ao limite do aviso e o juízo (o cativeiro de 70 anos) se tornaria inevitável pela falta de resposta do povo.
Pilares do Estudo sobre a "Conversão Imediata"
A Urgência do "Agora" (‘Sûb-nâ): O termo traduzido como "convertei-vos agora" carrega um sentido de imperativo imediato. A conversão não é um plano para o futuro ou uma resolução para quando as circunstâncias melhorarem, mas uma decisão do presente. Adiar o arrepender-se é endurecer o coração.
A Persistência Divina ("Madrugando e enviando"): A expressão poética "madrugando" mostra a diligência e o zelo de Deus em buscar o ser humano. Deus se antecipa ao juízo enviando alertas constantes. A insistência de Deus contrasta com a inércia do povo.
A Natureza Prática da Conversão: O texto não fala de um mero remorso sentimental, mas de uma atitude dupla e prática: abandonar o mau caminho (a direção errada da vida/mentalidade) e as más ações (os frutos visíveis desse caminho).
A Promessa de Permanência e Restauração: O verso 5 conclui indicando que a conversão protege o propósito de Deus para a vida do indivíduo ("e habitai na terra que o Senhor vos deu"). O pecado expulsa e destrói; o arrependimento preserva e restaura.
Aplicações Práticas
O perigo da procrastinação espiritual: Muitas vezes esperamos momentos de crise extrema para buscar a Deus. Jeremias ensina que a resposta à voz de Deus deve ser imediata para evitar as consequências naturais do erro.
Escuta ativa: O grande contraste do verso 4 é entre a voz de Deus que chama e a surdez do povo que escolhe não ouvir. A conversão começa pela disposição em dar ouvidos ao confronto da Palavra.
Jeremias 25 - Reavivados Por Sua Palavra
Este vídeo traz uma leitura e reflexão pontual sobre o capítulo 25 de Jeremias, auxiliando na fixação do contexto e da mensagem profética sobre o arrependimento
6. "Totalmente Novo"
II Coríntios 5. 17
"Assim que,
se alguém está em Cristo,
nova criatura é; a
s coisas velhas já passaram;
eis que tudo se fez novo"
II Coríntios 5. 17
Mas por que o "Novo" é Necessário?
Antes de estarmos "em Cristo", a nossa condição humana era separada de Deus e vivíamos sob o domínio do pecado. A Bíblia descreve esse estado não como "imperfeito", mas como morte espiritual (Efésios 2:1). Por isso, uma simples reorganização de hábitos não resolve; a mudança precisa ocorrer no nível da vida e da essência.
A expressão "estar em Cristo" indica união vital e posição jurídica. O crente é enxertado na vida, morte e ressurreição de Jesus, alterando radicalmente sua identidade e relação com o Criador.
No grego original, a palavra usada para "novo" é kainos (novo em natureza/qualidade), e não neos (novo em relação ao tempo). Não se trata de uma versão "2.0" do indivíduo anterior, mas de uma nova criação.
"As coisas velhas já passaram." O sistema de valores antigo, a culpa dos erros passados e a busca por autojustificação perdem a validade e a autoridade sobre as nossas vidas.
"Eis que tudo se fez novo." É o começo de um processo contínuo em que as nossas mentes, nossas afeições e as nossas prioridades são progressivamente alinhadas ao Espírito Santo.
O passado não define mais quem nós somos perante Deus. A maneira de enxergar o dinheiro, os relacionamentos, o sofrimento e o trabalho muda completamente. Como nova criatura, somos chamadas a ser embaixadoras da reconciliação (II Coríntios 5:20), levando essa mesma mensagem de restauração ao mundo.
Hoje, nossa identidade é definida pela justiça de Cristo e filiação divina, a fim de glorificarmos a Deus através das nossas vidas e do serviço ao próximo a caminho da vida eterna!
7. "Hoje é Dia de Ouvir"
Hebreus 3. 7
"Assim,
pois,
como diz o Espírito Santo:
Hoje,
se ouvirdes a sua voz,
não endureçais o vosso coração,
como no dia da provocação..."
Hebreus 3:7-8
O capítulo 3 de Hebreus faz um alerta solene sobre o perigo de endurecer o coração e adiar a resposta à voz de Deus. O autor cita diretamente o Salmo 95 para lembrar o povo de Israel que murmurou no deserto.O autor de Hebreus escreve para cristãos de origem judaica que enfrentavam pressões e tentavam retroceder à antiga aliança. Ele os adverte lembrando a história de seus antepassados no deserto.
A urgência do "Hoje" nos mostra que quem fala é a autoridade do Espírito Santo, e o Espírito Santo não fala sobre o amanhã ou o ontem. Quando o Espírito Santo fala, a única postura cabível é a reverência e a atenção plena, sem distrações. A fé e a obediência acontecem no presente. Adiar uma decisão espiritual é, na prática, recusar a Deus, pois Deus continua falando, e hoje. O "amanhã" é uma ilusão que o inimigo usa para endurecer o coração.
A voz ativa do Espírito Santo destacada no verso que a Escritura é viva. Deus fala através da Bíblia, da pregação fiel e da convicção interior no Espírito. O Salmo escrito séculos antes continua sendo a voz do Espírito Santo falando hoje ao coração do leitor. A procrastinação espiritual é uma das estratégias mais perigosas. Prometer obedecer "amanhã" é desobedecer "hoje". O perigo do coração endurecido é algo que não acontece de uma hora para outra. Ele é o resultado contínuo de ouvir a verdade, mas escolher ignorá-la ou rebelar-se contra ela. A graça de Deus oferece uma janela de oportunidade chamada hoje. O momento de arrepender-se, perdoar, mudar de atitude ou aceitar a Cristo é o agora.
Esta é a lição do deserto que aprendemos com aquela geração do êxodo. O povo no deserto viu grandes milagres (pragas, mar Vermelho, maná), mas seus corações continuavam duvidosos e rebeldes, e por isso, não entrou no descanso de Deus porque a dúvida e a murmuração fecharam seus ouvidos. Reclamar e duvidar de Deus em tempos de teste fecha os ouvidos espirituais e impede a pessoa de desfrutar do descanso divinamente prometido.
Examinemos as nossas atitudes hoje. Em que área da vida Deus já tem falado conosco, mas temos adiado a resposta? Pergunte-se: "Existe alguma ordem expressa de Deus na Bíblia que estou adiei cumprir?"
Devemos praticar a escuta ativa. Ouvir na Bíblia envolve obediência. Não basta apenas escutar com os ouvidos; é preciso alinhar as atitudes à Palavra.
Devemos tomar cuidado com a insensibilidade. O hábito de ignorar pequenas convicções do Espírito conduz à insensibilidade espiritual. Se você sente que seu coração está ficando frio ou indiferente às coisas espirituais, confesse isso a Deus imediatamente e peça um coração sensível.
O verso 13 nos exorta a exortar uns aos outros todos os dias. Use sua voz para encorajar a fé de seus irmãos, ajudando-os a permanecer fiéis hoje.
8. "Estamos em maioria"
II Reis 6
"Ele respondeu:
Não temas,
porque mais são os que estão conosco
do que os que estão com eles."
II Reis 6:16
O servo de Eliseu acordou cedo e viu a cidade cercada por cavalos e carros de guerra. A reação imediata dele foi o desespero: "Ai, meu senhor! Que faremos?" Sua visão estava completamente limitada.
Olhar apenas para os problemas materiais reduz nossa fé e amplifica o poder do inimigo. Ele estava olhando somente as aparências.
O moço olhou para as forças humanas ao redor, enquanto Eliseu olhava para o Deus que governa os céus. O foco do moço estava somente nas coisas terrenas.
Mas Eliseu que tinha uma visão espiritual não pediu que Deus enviasse reforços, pois sabia que eles já estavam lá. O profeta orou para que a percepção do moço fosse transformada: "Senhor, peço-te que lhe abras os olhos, para que veja."
A fé não ignora a realidade do problema, mas enxerga a presença de Deus acima dele. Eliseu usou de discernimento espiritual.
O monte estava cheio de cavalos e carros de fogo ao redor de Eliseu. Havia um exército celestial invisível naquele lugar.
A maioria nunca é definida pelo número de opositores no plano físico, mas pela presença de Deus ao nosso lado. A contagem correta deve ser feita, pois: "...mais são os que estão conosco."
Eliseu estava calmo porque sua confiança não dependia das circunstâncias visíveis. Ele vivia a paz de Deus em meio ao cerco.
Após Deus cegar o exército inimigo, Eliseu os guiou e os serviu com um banquete em vez de destruí-los, cessando os ataques sírios por um tempo. O mal foi vencido pelo bem.
Estar "em maioria" significa reconhecer que, mesmo nas batalhas mais solitárias ou difíceis, quem está firmado com Deus jamais está em desvantagem.
9. "Inseparáveis"
Romanos 8. 38 e 39
"Porque estou certo de que,
nem a morte, nem a vida,
nem os anjos,
nem os principados,
nem as potestades,
nem o presente,
nem o porvir,
nem a altura,
nem a profundidade,
nem alguma outra criatura
nos poderá separar do amor de Deus,
que está em Cristo Jesus nosso Senhor."
Romanos 8:38,39
A passagem de Romanos 8:38-39 encerra o capítulo considerado o "pico das Montanhas Rochosas" das Escrituras. O apóstolo Paulo conclui uma extensa argumentação teológica sobre a salvação, a vida no Espírito e a vitória do cristão com uma declaração de certeza absoluta: nada pode romper a união entre o crente e o Criador.
Paulo tinha uma certeza: "Estou bem certo" - A palavra grega para "bem certo" (pepeismai) indica uma convicção sólida e inabalável. Paulo não expressa um desejo vago, mas uma verdade fundamentada na natureza de Deus e no sacrifício de Cristo.
As oposições já são derrotadas: Para demonstrar a invencibilidade do amor de Deus, Paulo cataloga dez ameaças divididas em pares e categorias:
- A Fronteira Física (Morte e Vida): Nem a maior tragédia humana (morte) nem as pressões do cotidiano (vida) afetam a aliança divina.
A dimensão Espiritual (Anjos e Principados): Sejam seres espirituais rebeldes, potestades ou qualquer força demagógica, nenhum poder tem autoridade sobre a salvação.
A Linha do Tempo (Presente e Porvir): As lutas de hoje e as incertezas em relação ao futuro estão sob a soberania de Deus.
A Dimensão Espacial (Altura e Profundidade): Não há ponto culminante de triunfo nem abismo de desespero que distanciem o cristão do Pai.
A Cláusula Universal ("Nem qualquer outra criatura"): Uma garantia de que nada do que existe ou venha a existir fora do Próprio Deus pode interferir neste vínculo.
A âncora está "Em Cristo Jesus". O amor de Deus não é abstrato. Ele se manifestou historicamente na pessoa e obra de Jesus. Estar "inseparável" de Deus é resultado direto da união do crente com Cristo.
Sinta-se seguro em tempos de crise: Quando surgem tribulações, a sensação de abandono é ilusória; o vínculo do amor de Deus permanece intacto.
Você pode descançar e confiar: O amor de Deus não depende de desempenho pessoal diário, mas do caráter imutável do Senhor.
10. "Um novo templo e uma nova terra"
Apocalipse 21
11. "Até quando, Senhor"
Habacuque 1
"Até quando,
Senhor,
clamarei eu,
e tu não me escutarás?
Gritar-te-ei:
Violência!
e não salvarás?"
Habacuque 1:2
Habacuque vivia num período sombrio em Judá. A corrupção era explícita, a justiça estava torcida e a violência tomava conta das ruas. O que mais machucava o profeta não era apenas o mal em si, mas o silêncio divino diante do caos.
É fácil nos identificarmos com Habacuque. Quantas vezes já olhamos para uma crise pessoal, uma enfermidade na família ou as injustiças do mundo e nos perguntamos em silêncio: "Deus, o Senhor não está vendo isso?"
Habacuque não murmurou pelas costas de Deus; ele dirigiu suas perguntas diretamente ao Senhor. Há uma diferença gigante entre revolta ímpia e a lamentação sincera de um coração adorador, um coração que espera no Senhor!
Na sequência do capítulo, Deus revela que já estava trabalhando nos bastidores. O silêncio divino quase nunca significa inatividade; significa apenas que os caminhos d'Ele usam um ritmo diferente do nosso.
O nome Habacuque vem de uma raiz hebraica que significa "aquele que abraça" ou "se apega". Quando você não entender a mão de Deus, apegue-se ao Seu caráter.
Em vez de guardar a sua frustração ou fingir uma fé perfeita que você não está sentindo, rasgue o coração diante do Altíssimo. Apresente o seu "até quando?" com reverência. Ele não se ofende com a sua dor e está pronto para te sustentar enquanto a resposta não vem.
A fé bíblica não exige a supressão da dor ou das dúvidas. Deus acolhe a honestidade de quem busca respostas n'Ele.
Deus governa a história e a geografia política, mesmo quando os instrumentos parecem incompreensíveis.
O capítulo 1 termina com a expectativa da resposta de Deus, ensinando que a oração honesta desemboca na vigilância e na confiança na justiça divina.
Oração:
Senhor, às vezes o tempo de espera pesa e o silêncio parece ensurdecedor. Perdoa-me quando duvido do Teu cuidado diante da dor. Ajuda-me a levar minhas dúvidas a Ti em vez de me afastar. Dá-me graça para confiar que, mesmo quando não vejo, o Senhor continua no trono e trabalhando no tempo certo. Amém.
20. "Família de Deus"
Efésios 2
"Assim,
vocês já não são estrangeiros nem peregrinos,
mas concidadãos dos santos
e membros da família de Deus."
Efésios 2. 19
Antes habitávamos em um passado que fazia separação entre nós e Deus. Antes de integrar essa família, a condição da humanidade era de completo desamparo espiritual. Paulo resume esse passado dizendo que estávamos "Mortas Espiritualmente": Alienadas da vida de Deus por causa das nossas transgressões e pecados (Efésios 2. 1 a 3) e "Excluídas da Promessa": Sem direito à cidadania, sem aliança, sem esperança e sem Deus no mundo (Efésios 2. 11 e 12). Judeus e gentios viviam sob uma parede de separação e inimizade.
Mas Deus nos proveu um meio para sermos novamente reconciliadas com Ele através da adoção. A transição de "estrangeiras" para "filhas" exige uma intervenção exterior. Ela ocorre por dois elementos centrais: "Graça e Fé" (Efésios 2. 8 e 9): A salvação e a entrada na família não vêm do mérito humano, obras ou descendência física; são dom gratuito de Deus e "O Sangue e a Cruz" (Efésios 2. 13 a 16): Jesus derrubou o muro de separação na cruz. Ao morrer, Ele reconciliou os dois povos (judeus e gentios) com Deus em um só corpo, estabelecendo a paz.
Hoje fazemos parte de uma nova família, com características específicas e uma nova identidade. Em Efésios 2. 19 a 22 Paulo utiliza três figuras para descrever o resultado da obra de Cristo:
- Somos concidadãs dos santos (Efésios 2. 19: temos direitos legais e a nossa pátria é celestial; cessou a condição de refugiada espiritual.
- Somos membros da família de Deus (Efésios 2. 19b): temos um vínculo relacional de intimidade e filiação; Deus é o nosso Pai e os crentes, nossos irmãos.
- Somos edifício, santuário de Deus (Efésios 2. 20 a 22): nossa estrutura espiritual está edificada sobre os apóstolos e profetas, com Cristo como a pedra angular.
Não existe mais divisões na família de Deus. Barreiras raciais, culturais ou sociais perdem a força diante da unidade em Cristo.
Podemos estar seguras de pertencermos a família de Deus, pois a fé em Cristo garante lugar à mesa do Pai; o crente não é mais um visitante temporário, mas um membro definitivo da família de Deus.
O nosso crescimento deve ser coletivo. Como pedras vivas do mesmo templo, cada membro precisa estar "bem ajustado" aos outros para que a casa seja habitação do Espírito Santo (Efésios 2. 21 e 22).
Oração:
Pai celestial, louvado seja o Teu nome por teu grande amor e misericórdia, que nos alcançaram quando ainda estávamos mortas em nossas ofensas. Te agradeço porque, pelo sangue de Cristo na cruz, a barreira da separação foi derrubada. Já não somos estrangeiras nem forasteiras, mas concidadãs dos santos e membros da tua própria família.
Aproxima-nos umas das outras em unidade e paz, edificadas sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, tendo o próprio Cristo Jesus como a pedra angular. Que o teu Espírito habite em nós e nos transforme, dia a dia, em uma morada viva onde o teu nome seja glorificado. Amém.